Então, que dia 19 fiquei sabendo que a Laura iria nascer (sempre, desde sempre decidimos que seria cesárea, já tinha a cicatriz da outra, pelo histórico dos acontecidos, pelo medo da dor, da angústia..) no dia seguinte as 11h.
Não preciso contar como foi passar aquela infinita noite?!
Acordei as 5h da manhã (As 9h tinha que estar no hospital para fazer a internação). Tomei banho, sequei cabelo, rezei um pai nosso, olhei pro quartinho pra ver se não faltava nada, pensei no Pedrinho que dormiu na casa da vó. Entrei no carro e fui.. fui pra empresa, porque tinha que assinar uns papeis antes de parir (e nego reclamando que trabalha demais!). Depois passei na casa da minha mãe (nessas horas meu estômago já gritava e eu salivava mais que um são bernardo - sem água e comida de jejum). Dei um beijinho no meu garotinho, não tive coragem de levá-lo para a escola e minha mãe assim o fez e fui pro hospital (PUCRS). Chegando lá, peguei os papeis da internação no consultório do meu obstetra e fui parir. Meus pais chegaram, me despedi e fui lá pra dentro... (sensação muito estranha entrar assim e saber que sairia com minha bolotinha nos braços). Entrei, me examinaram, me colocaram naquela camisola muito sexy, coloquei o soro (sim, dói), e quando vi, meu médico - todo de verde - já estava por lá.... aí neguinha, o bixo pegou! Acho que mais pro Felipe que pra mim. Ele ficava andando de um lado pro outro, inquieto, parecia papai de primeira viagem. Okay, eu também já estava a fugir dali, queria sair correndo e voltar pra barriga da minha mããããeee! Mas, o "lindo" do anestesista não chegava e a vontade de fugir dali foi dando espaço a angústia de entrar correndo pra sala de parto e parir de uma vez!
E me levaram e marido, já que ninguém avisou antes, saiu correndo para se arrumar para assistir o parto... Todo aquele processo, horrível e dolorido da anestesia. Senta, reclina pra frente, quase desmaia no ombro da enfermeira camarada, fala uma piada que ninguém ri (efeitos da anestesia) - pelo menos dessa vez, ninguém ficou zoando da minha tatuagem na lombar (eu mereço). Deita, mede a pressão de minuto em minuto (aliás, nessa hora, os minutos já viraram anos bi-sextos), colocam aquela toalinha verde na frente, aquele cheiro de carne queimada... marido chega... e eu começo a passar mal, mal de verdade! Muitaaa falta de ar - sim, esqueci de mencionar que uns dias antes me ataquei das rinites - e comecei a me desesperar. Fiquei enjoada e quase vomitei anestesiada, deitada, na cara do anestesista. Me colocaram no oxigênio, pingaram trocentas gotinhas no meu nariz, me deram plazil na testa (porque nem se fosse na veia o efeito teria sido tão rápido). E aos poucos fui melhorando...
Aí, o anestesista me perguntou se eu queria ver ela nascendo - e eu fui logo arrancando a toalinha da frente, e nem deu tempo de falar ÓBVIO e ela nasceu, me lembro como se fosse ontem, meu GO a segurando pelas perninhas de ponta cabeça. Eu falei que pequeininha. Ledo engano minha amiga!
Foram lá fazer os primeiros procedimentos e voltam com ela toda enroladinha e berrando. Ao contrário do Pedrinho ela não parou de chorar quando a encostaram em mim, ela continuou berrando até que a colocaram em meu peito pra mamar (tô pra ver bebê mais bezerro que o meu, tô pra ver). Aí tiramos umas fotos (abaixo) e acreditem deu PANE na máquina fotográfica, ME MATAAAAAAAAAAA. Levamos nossa câmera mixa, uma câmera semi profi, o tablet, dois celulares com câmeras, e quase não tenho foto do parto. É pra morrer! Mas enfim..
Laura nasceu as 11:10 do dia 24/11/12 com 3.610kg e 50 cm de 38 semanas. Apgar 9/10
Eai que a levaram, marido se foi e eu continuei ali, deitada claro, sendo remexida por dentro (fiz laqueadura). Os papos na sala de parto era sobre o fim do mundo (previsto pelos Maias dia 21/12), e o anestesista veio me perguntar se eu acreditava que o mundo ia acabar (pensa numa senhora que acabou de parir, anestesiada) e o que eu faria se realmente acabasse (pensa numa senhora que acabou de parir, anestesiada, tendo que pensar no fim do mundo). Nem lembro da minha resposta, se é que teve uma... Depois os médicos ficaram falando da família e eu nem me lembro de ter saído da sala de parto... Mas eu fui pra sala de recuperação, ainda no CO do hospital, esperando ansiosa pela bolotinha e pra ir pro quarto. Ahhhh, minha gente o quarto! E é aí que entra realmente o PARTO da história!
Não tinha leito!! Não tinha no semi privativo (que era o que meu convênio - unimed - cobria), nem no apartamento individual stander e muito menos no luxo. Nada. Já pelo sus tinha 7 SETEEEEE leitos sobrando, e todas que ganhavam pelo sus subiam pros quartos e eu ali, mofando na sala de recuperação das 12:00 até às 21:00 (NOVE HORAS NA ESPERA POR UM LEITO POR UMA CESÁREA ELETIVA, COM HORA MARCADA). Por Deus, devia ter dado entrada pelo sus, devia! Laura ficou assada porque não tinha a mala de roupa dela e nem poderia entrar com nada lá, e não tínhamos como trocar a fralda. Só meu marido tinha autorização de ficar lá comigo, ou seja, ele estava exausto e meus familiares me esperando do lado de fora, por horas, e ninguém podia revezar com ele - NINGUÉM! A cada enfermeira que passava perguntávamos se já tinha liberado algum leito (nessas horas qualquer um servia, de boa). E nada. Mas quando deu 21:00 meu marido subiu e meteu a boca em quem se atravessou na frente dele lá na recepção dos quartos! E não deu 20 min vieram me buscar. Sabe o que disseram depois? Que tinha leito há horas, mas que não tinha ninguém que pudesse ME BUSCAR! Car#$%¨#! O cumulo!!!
No fim, consegui um leito semi privativo e não dei um tustão para aqueles padres, nenhum! Mas, tive que dividir o quarto com uma menina da minha idade, também segundo filho, que até tiramos fotos no final =)
Ah tá, mas voltando ao parto da história; meu médico tinha me deixado explicitamente dito que não era para tomar banho aquela noite, só na manhã seguinte. Mas, lás pelas 23:00 veio uma enfermeira e me obrigou a tomar banho, disse que era regra do hospital e tal e eu fui.. Mas na manhã seguinte, quando meu médico descobriu que eu havia tomado banho me xingou. Sim, eu fui xingada! Aí falei da enfermeira e não sei que fim deu... Bom, aí também nos incomodamos, minha mãe junto, porque solicitei o NAN pro pediatra e pro meu GO, já sabíamos das condições que foram com Pedrinho, então, os dois me liberaram de cara.. mas e quem disse que as enfermeiras acataram a decisão. Sério, que drama! Primeiro - em hipótese alguma é dado nan aqui no hospital e blá blá blá.... e lá no meu prontuário e da Laura: 30ml de nan a cada 3h... depois só queriam me dar em copinho.. depois, enfim, veio uma mamadeira, e depois trocou o plantão e começou tudo de novo. FORAM DUAS TROCAS DE PLANTÕES até que tudo se ajustasse, olha, olha, olha!!! Ah, tá, e ainda para completar, porque nessas horas toda e qualquer enfermeira daquele hospital já me detestava e deixavam isso transparecer (por incrível que parece, sofri bulling), na minha ultima noite lá (foram três sofridas noites) queriam me transferir de quarto. Isso mesmo, ia dar alta em menos de 12h e queriam que eu pegasse minhas coisinhas, um bebê de dois dias, assado, porque a assadura durou UMA SEMANA, que já estava dormindo e fosse pra outro quarto, onde já haviam mais TRÊS mamães. Ah, mas daí minha mãe ficou roxa, porque eu já tava chorando, exausta, me sentindo mal, querendo sumir dali... e disse que ia chamar a Unimed (tem um posto de atendimento da Unimed lá ho hospital) e na mesma hora a enfermeira falou: ah, então deixa, eu dou outro jeito (grossa, seca). Depois nessa mesma noite, a última e não menos confusa e cansativa, chegou uma mulher que tinha dado a luz em casa, sozinha, o bebê caiu na privada e ela mesmo fez o parto e o mais incrível, ela "eu não sabia que estava grávida", siiim, existe mesmo (ou ela mentiu para todos), casos iguais ao que passa no Discovery H&H. Mas nem vou me deter a contar porque né...
Enfim, no outro dia as 7h30 meu médico já estava lá me dando alta, a Laura já estava de alta no dia anterior. Felipe foi me buscar e fui pra casa, graças a DEUS!
Considerações:
- Se forem parir na PUCRS vão na fé pelo SUS, atendimento exemplar, tem leito, as enfermeiras um amor (no Pedrinho ganhei pelo SUS lá, então posso fazer a comparação).
- Já pelo convênio, ou vão com muita paciência ou nem passem por lá!
- Desde o início me programei para ganhar no Moinhos, mas como meu médico atende na PUCRS, e conhece muita gente por lá, e pelo meu histórico e porque minhas plaquetas já estavam abaixando mais do que deviam, decidimos ganhar lá.
- Só não me arrependo, porque, a razão pelo qual passei por tudo, é muito superior a qualquer inconveniente que principalmente, aquelas enfermeiras me fizeram passar!
Enfim, nada é perfeito, mas o mais importante minha saúde e da bolotinha foram preservadas e tudo ocorreu bem e eu nunca mais terei que passar por tudo de novo!


Um comentário:
Nossa Mell que loucura tudo isso! E pensar q no segundo parto a gente pensa q vai ser mais fácil.
Tudo de bom pra vc e sua familia,
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